Festival preserva cultura italiana no coração do Brasil

Chegando à sua 13ª edição em 2017, o festival resgata as tradições e a gastronomia que os imigrantes italianos trouxeram à cidade há mais 100 anos


Quem não conhece a tradicional massa ou pizza, sabores foram apresentados aos brasileiros pelos italianos? Quem não se admira do timbre forte de seus tenores e de suas belas canções? O que dizer de seus vinhedos, que originam a sedutora bebida de baco?

Esses são apenas exemplos de uma vasta herança que os italianos deixaram no Brasil a partir do século XIX, quando começaram aqui chegar para trabalhar nas lavouras de café. Em Goiás, a 44 quilômetros da capital, a cidade de Nova Veneza nasceu da ocupação italiana e, para enaltecer seus costumes, surgiu o Festival Italiano de Nova Veneza.

A festa chega à 13ª edição em 2017, com data agendada para 1º a 4 de junho e uma programação recheada de gastronomia, música, dança, esporte, artesanato e até jogo de cartas típicos. De acordo com a organização do evento, mais de 100 mil visitantes são esperados na cidade, que possui com pouco mais 9 mil habitantes de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O evento surgiu para valorizar nossos costumes e, através dela, as gerações mais novas estão resgatando suas origens. A cada ano, os moradores se envolvem mais da festa”, observa a presidente da comissão organizadora do evento, Hermione Stival.

Cerca de 60% dos moradores do município são de descendência italiana e, desde março, a movimentação em torno dos preparativos para a festa já iniciaram. Nas escolas, os ensaios para as apresentações culturais estão acontecendo. As cozinheiras da cidade também já preparam suas receitas, ingredientes e pratos. Só a cozinha do restaurante oficial do evento, são 48 pessoas trabalhando todos os dias desde o mês de abril.

Hermione Stival considera que, ao longo de 13 anos, o festival alcançou amadurecimento e, agora, a meta é torná-lo um indutor ainda mais intenso de mudanças positivas para a cidade, com mais geração de empregos e renda para os moradores. Por isso, a programação não se encerrará com o fim da festa.

“Queremos que a cidade se aproprie ainda mais de seus valores e cultura e, para isso, estamos desenvolvendo uma agenda extensa de trabalho para incentivar o empreendedorismo gastronômico, cultural e turístico para o ano inteiro, que certamente aumentará ainda mais a geração de emprego e renda aos moradores”, anuncia.


O pedacinho da Itália em Goiás

Reduto dos colonos italianos que vieram para o Brasil há mais de 100 anos, Nova Veneza é símbolo da imigração italiana no Estado e esconde uma rica história cultural


Nem só de portugueses, africanos e índios é formado o povo brasileiro. No interior de Goiás, a 48 km da capital e com pouco mais de 9 mil habitantes, a cidade Nova Veneza abriga memórias que compõem a história da ocupação italiana do Brasil, o que inclui uma comunidade em solo goiano.

As dificuldades da I Guerra Mundial na sobrevivência do europeu despertou nesse povo o sonho de fazer a vida na América. No Brasil, o fim da escravidão dos negros abriu oportunidade para trabalhadores experientes e detentores de técnicas mais avançadas.

Foi este o contexto que atraiu João, Cesário e Joaquim Stival, que saíram da região de Treviso para São Paulo, no ano de 1911, onde trabalhariam em lavoura de café. Pouco tempo após se instalar, descobriram que em Goiás haviam terras boas e com valor acessível.

Em 1924, adquiriram 362 alqueires de uma propriedade rural na região de Nova Veneza e instalaram-se com a família e amigos. Posteriormente, outras famílias italianas migraram para a região e o lugar ficou conhecido como ‘’Colônia dos Italianos.’’ Em 1958, a colônia tornou-se município, batizado de Nova Veneza.

Serviço:
13º Festival Italiano de Nova Veneza

Data: 1 a 4 de junho
Local: Praça João Stival de Nova Veneza - Goiás
Entrada gratuita

Texto: Comunicação Sem Fronteiras, assessoria de imprensa do Festival Italiano de Nova Veneza

coordenação geral: Hermione Stival Moreira / Adilon José Ferreira   apoio: Maria do Carmo Basílio