Publicado em: 07/06/2017
Polenta frita: o segredo do petisco mais procurado no Festival de Nova Veneza
Petisco está presente no cardápio do festival desde a quinta edição e foi incluída a pedido dos moradores descendentes de italianos no município. A receita que é sucesso de público e de crítica é simp
Por Raquel Pinho  

Quase meia tonelada de fubá já foi encomendada para preparar o petisco mais procurado durante o Festival Italiano de Nova Veneza: a polenta frita. Segundo os organizadores do evento, que será realizado entre os dias 1º e 4 de julho, mais de 800 porções de polenta chegam a ser vendidas por dia.

 

“Para chegar à receita que servimos hoje, fizemos alguns testes com diferentes tipos de fubá até que chegamos ao resultado que queríamos, uma polenta frita crocante como batata frita e que é hoje o prato mais procurado na Cantina da Nona, a cozinha oficial do festival”, explica Maria do Carmo Basílio, uma das organizadoras do evento gastronômico.

A receita do petisco que é sucesso de público e de crítica leva poucos ingredientes e é simples, porém requer alguns cuidados que podem fazer toda a diferença. “É uma receita fácil, mas tem seus segredos, o tempo de cozimento é um deles. Por exemplo, depois de dissolver o fubá na água fria, se o colocarmos na água quente na hora errada, pode empelotar e se deixar cozinhar de menos, a polenta fica dura”, explica Vânia Maria Alves, chef responsável pela Cantina da Nona.

 

Ela esclarece ainda que como se cozinha a polenta em grandes quantidades, panelas e conchas adequadas também fazem diferença no preparo do prato, além da qualidade e da temperatura do óleo para a fritura. Mas o principal segredo da iguaria, segundo Vânia, é fritar sempre a polenta fresca. “Preparamos a polenta sempre um dia antes, assim quando fritamos, ela fica mais crocante, porque a massa está fresca”, explica.

 

Coringa

Entre os italianos, a polenta é um coringa da alimentação e está presente, em diferentes ocasiões do dia, no café da manhã, almoço, lanche e também no jantar. Pode ser servida cozida, acompanhada por um copo de leite,  grelhada com carne ou frita, como petisco. Pode ser recheada com uma miríade de molhos ou outros ingredientes, acrescentados enquanto ela ainda está mole. Antigamente considerada “comida de pobres”, a polenta hoje é usada em diversas casas e restaurantes, com muita sofisticação.

A polenta tem origem na região norte da Itália e fazia parte da base alimentar (o prato mais consumido) da população e dos legionários romanos. Era feita principalmente de farinha de aveia, mas podiam ser utilizadas farinhas de outros cereais como o trigo. Pouco depois da chegada dos espanhóis ao Caribe em 1492, o milho foi introduzido na Europa. Na Itália, esse cereal passou a ser cultivado primariamente no norte, onde as chuvas são abundantes. A partir de então é que a polenta passou a ser feita de farinha de milho.

A polenta de milho tornou-se o principal prato nas regiões de Veneza e Friuli, onde passou a substituir o pão (feito com trigo) e o macarrão. Inicialmente restrita a essas regiões, em pouco tempo a polenta passou a dominar todos os aspectos da culinária italiana. Sua textura varia bastante, de firme nas regiões de Veneza e Friuli a cremosa na região de Abruzzi. A polenta sempre foi feita da mesma forma: com bastante esforço e paciência, misturando a pasta de milho em caldeirões de cobre aquecidos sobre o fogo.




coordenação geral: Hermione Stival Moreira / Adilon José Ferreira   apoio: Maria do Carmo Basílio